Disciplina Curricular

A Geopolítica da Atual Transição Energética GATE

Mestrado Integrado em Engenharia da Energia e do Ambiente - 6_Plano 2015/16 (Mest. Int)

Contextos

Grupo: 6_Plano 2015/16 (Mest. Int) > 2º Ciclo > Optativas > 5º Ano > 931_MI em Eng. da Energia e do Ambiente (4º e 5º Anos)

Período:

Grupo: 6_Plano 2015/16 (Mest. Int) > 2º Ciclo > Optativas > 4º Ano > 931_MI em Eng. da Energia e do Ambiente (4º e 5º Anos) > 2º Semestre

Período:

Peso

6.0 (para cálculo da média)

Objectivos

Preparar futuros profissionais na área dos Sistemas Sustentáveis de Energia a enquadrarem a sua atividade num mundo em mutação absoluta — em todos os domínios, mas seguramente neste — e sob forças disruptivas não imagináveis há uma simples década atrás. Estamos presentemente no fio da navalha entre um mundo que colapsa e um outro que não se apresenta ainda numa sua formatação minimamente consistente. Mas tudo se está a processor numa velocidade espantosa. Arriscam-se, estes novos profissionais altamente especializados, a nada compreenderem do que os cerca, a não perceberem sequer que o que os cerca está em iminente colapso. Pretende-se aqui, apenas, dar um pequeno contributo para que o choque , sendo na mesma disruptivo, seja contudo um pouco menos traumático.

Programa

I – O TEMA DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA 1. O arranque da 1ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (com a passagem da já milenar Bio-massa ao Carvão) — e suas sucessivas fases. O Carvão e a nova Indústria e Transportes, mas também o Carvão e as Guerras, e a Construção dos Grandes Impérios. O emergir das massas e sua participação crescente na Política. E ainda a Revolução Tecnológica que formatou nos 10 ou 20 anos finais do Século XIX, todo o Século XX. 2. A PRIMEIRA TRANSIÇÃO (do Carvão ao Petróleo, acrescido este da Grande Hídrica e do Nuclear) ao longo da primeira metade do Século XX — de 1905 a 1945 — balizada pela seguinte MATRIZ (que se irá repetir no futuro): (1) começa por uma 1ª Grande Guerra (antecedida de alguns conflitos preparatórios) ainda essencialmente centrada no passado (no Carvão); (2) entra depois num período de Euforia Económica com a desgraça já anunciada; (3) seguido de um inevitável Crash e de uma Grande Depressão e, finalmente, (4) acabando numa 2ª Grande Guerra, toda ela já virada para o domínio dos Recursos do futuro (e, portanto, já centrada no Petróleo e no Nuclear). 3. No Contexto Europeu, a RECONSTRUÇÃO DE UM CONTINENTE quase por completo destroçado — sem Infraestruturas minimamente operacionais e com as Economias destruídas ou então totalmente disfuncionais para a Paz, com as suas Cidades arrasadas, um número imenso de desempregados recém-desmobilizados e a população com fome — foi uma tarefa terrivelmente difícil e muito complexa. Cada uma das novas potências hegemónicas (EUA e URSS) — porque os maiores produtores mundiais de Petróleo — assumiu para si a Reconstrução, “sob tutela e domínio”, de uma metade da Europa. Na metade Ocidental começou o processo de Integração que, em 1992, resultaria na UE. “Revisitamos” hoje, infelizmente, demasiadas de entre as mais marcantes problemáticas da anterior Transição. 4. A actual SEGUNDA TRANSIÇÃO — do Petróleo e fontes associadas (Grande Hídrica e Nuclear) para o Gas Natural, acompanhado do boom das Renováveis. Ela começa de facto apenas em 1990 com a 3ª Crise Perolífera (Guerra do Golfo), depois da abortada Transição “soft” dos anos 70 — que durou da 1ª Crise Petrolífera de 1973 (Guerra do Yon Kippur) ao final da 2ª Crise Petrolífera, em 1979/1980 (queda do Xá da Pérsia e arranque da Revolução Islâmica) — e após a década de 80, durante a qual o Petróleo foi utilizado com pleno sucesso (pelos EUA e pela Arábia Saudita) como arma de destruição da URSS. Encontrando-nos hoje já na sua última fase (a das Guerras e Conflitos já integralmente virados para o futuro — para o controlo e domínio futuro do Gas Natural e perante o boom das Renováveis). 5. Ainda com referência à SEGUNDA TRANSIÇÃO — importa identificar e caracterizar os seus Elementos Básicos e Fundamentais: (1) A Natureza do Novo Mix (Gas Natural e Renováveis + Storage, HVDC e Electrónica) e (2) O próprio Processo de Transição Energética em curso. 6. Síntese da EVOLUÇÃO implacável na escala de descarbonização DOS HIDROCARBONETOS (do Carvão com 75% de Carbono, ao Hidrogénio com zero Carbono, passando pelo Petróleo – com 50%-50% e o Gas Natural – com apenas 25% de Carbono) — caracterizada, contudo, por uma sucessão de Revoluções verdadeiramente Disruptivas. As "Transições Energéticas" numa perspectiva histórica. 7. Retomamos hoje, de forma recorrente, muitas das mais críticas e marcantes problemáticas do passado. Estamos neste momento a “RE-VISITAR” quer o período de entre-Guerras (Euforia Financeira dos anos 20 e Grande Depressão dos anos 30) quer do imediato pós-II Grande Guerra (Retorno à Energia como “desejável” motor da Integração Europeia) — tal como no imediato pós-Guerra Fria (anos 90 do Século XX) assistimos, atónitos, à desagregação dos espaços multi-nacionais europeus, à semelhança do ocorrido no imediato pós-I Grande Guerra. E, colectivamente, tendemos a ignorar o facto de estarmos hoje em Guerra — no equivalente à 2ª GG (só para termos uma medida de escala da sua amplitude e implicações). 8. Pistas para um Balanço Geo-estratégico do novo Mix Energético dominante (Gas Natural e Renováveis) — os necessários RE-POSICIONAMENTOS nacionais, regionais e mundiais, face ao afundamento da hegemonia do PETRÓLEO (e, no mundo árabe, do Sunismo, por arrasto) e à emergência de novas potências mundiais no sector do GAS NATURAL (com a clara supremacia, na Região do Golfo, do Xiismo). A nova GEO-ESTRATÉGIA das RENOVÁVEIS, no contexto europeu e global. II - O CONTEXTO DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA EM CURSO 1. Na Transição Energética hoje actualmente em curso é fundamental ter em conta a revalorização do Ambiente e da Natureza, em suma: dos Recursos Naturais — numa lógica de procura incessante da Sustentabilidade dos mesmos — e bem assim uma nova abordagem holística e virtuosamente sinérgica das componentes matriciais do futuro Mix Energético — cada vez mais marcadamente Renovável. 2. Por outro lado, na presente Fase de Transição, novas temáticas centrais e decisivas emergem nos últimos anos, temáticas essas com implicações nada irrelevantes nos ecossistemas — a anulação e estabilização da Intermitência própria e específica das Produções Renováveis (Solar, Hídrica e sobretudo Eólica); o absolutamente fundamental Storage massificado da produção de Renováveis — através da Reversibilidade Hídrica (à escala Continental Europeia, na Noruega e em parte nos Alpes) ou através de um sem fim de soluções tecnológicas centradas em novas mega-Baterias — e o Backup em muito larga escala, com recurso nomeadamente à Geotermia (na Islândia); a instalação de Linhas de Transporte Terrestre (a grandes e muito grandes distâncias) de Electricidade Renovável em HVDC (Corrente Continua em Alta Tensão); as futuras Linhas Submarinas Trans-Oceânicas e Inter-Continentais, igualmente em HVDC. O mundo está já hoje a preparar-se tecnologicamente e a e a devidamente infra-estruturar-se para acolher o futuro — futuro esse já em plena gestação e perante os nossos olhos. 3. E ainda, noutro registo, a presente Fase de Transição será também marcada pelas Smart Grids (de Recolha, de Transporte e de Distribuição de Renováveis), pela Democratização dispersão da produção Energética e ainda pela redefinição drástica dos modelos de Consumo Energético (e, portanto, de Eficiência Energética) e, mais que tudo o resto, de Mobilidade Eléctrica — quer ferroviária quer rodoviária. 4. A presente Transição (com base no Gas Natural e nas Renováveis) para a 4ª Revolução Industrial, caracteriza-se — e não apenas na vertente energética — pelo fim da "matriz vertical", unidirectional e hierárquica do passado e pela passagem disruptiva para uma nova "matriz em Rede", colaborativa e descentralizada ou mesmo disseminada no território, para uma “Economia de Partilha” do individual ao global. A produção generalizada dos Vectores “Electricidade” e “Hidrogénio” — ambos com base em Fontes não Fósseis — irá desconstruir e fazer implodir a Geo-Estratégica actual, baseada nos Combustíveis Fósseis, no Poder e na Verticalização da Energia, da Economia e da Sociedade. 5. A Sociedade e a Economia não estavam, há 30 anos atrás, de forma alguma, preparadas para a adopção dessa "matriz em Rede" — que acabaria por ser introduzida, à escala global, pela Internet e pelas telecomunicações móveis. Nestes últimos 30 anos, a disseminação das tecnologias digitais no sector das telecomunicações (em particular, móveis), a par com a Internet e as redes sociais atingiu uma tal difusão, em todos os Continentes, graus de desenvolvimento económico e estratos sociais, que o Mundo se encontra hoje perfeitamente preparado para a adopção massificada da nova "matriz em Rede" do sector energético. 6. A presente Transição — tal como as anteriores Transições (da madeira para o Carvão, do Carvão para o Petróleo e a Transição actualmente em curso do Petróleo para o Gas Natural) — irá formatar novas classes sociais e ideologias, novas formas de sociabilização e de estruturação do trabalho, novas práticas de mobilidade e, inclusive, novas matrizes de estruturação das Cidades. Como já atrás aqui referido, mesmo não sendo o tema desta Cadeira, a Transição Energética é aqui incontornável. 7. A Mobilidade Elétrica — em breve omnipresente, e a um ritmo avassalador — e os Carros Autónomos — com implicações directas disruptivas, que em muito transcendem o sector da mobilidade, propriamente dita — irão transformar de forma gravosa uma parte significativa dos atuais enquadramentos jurídicos e normativos. As suas implicações estarão ao nível ¬ mas a um ritmo vertiginoso — do arranque dos carros de combustão interna, há um século atrás. Trata-se de um começar de novo, de algo demolidor face ao actual modelo de Sociedade, ao actual modelo industrial, aos actuais enquadramentos Internacionais e correspondentes relações de força entre potências. Umas caem abruptamente, outras emergem de forma absolutamente inesperada. A próxima década será, de facto, demolidora. 8. Será, no contexto da problemática do Fim da Era Hegemónica do Petróleo (e, acessoriamente, do Nuclear e da Grande Hídrica), que emerge a 4ª Revolução Industrial — centrada na Indústria 4.0, nos Compósitos (substituindo progressivamente o aço), na Impressão 3D (a par com as cadeias de produção e montagem robotizadas) ou na Inteligência Artificial (em difícil e muito complexa interação com a Inteligência Humana) — e da ubiquidade potencial da “Internet das Coisas” (que disparará brutalmente com o irromper dos carros autónomos), da lógica disruptiva da “Comunidade dos Bens Comuns” (isto é, dos tão adiados e “trágicos” Commons, debatidos até à saciedade nos anos 80/90 no mundo anglo-saxónico, e muito em especial nos EUA). E que igualmente re-emerge a “Ecological Economics” de há décadas atrás (contabilizando e avaliando os Recursos — e, portanto, a sua destruição) e, finalmente, emerge a futura “Economia Colaborativa” ou “Economia de Partilha” — que, ainda incipiente, está já a gerar uma série infinita de impasses e perplexidades jurídicas — à procura de uma sua adequada formatação na esfera global e internacional. Esses Impasses são inevitáveis, visto tratar-se de programas matricialmente não compatíveis. III. O Novo Mix da Transição (já em curso) — os seus components fundamentais: Gas Natural e Renováveis 1. A progressiva "des-carbonização" e "des-materialização energética" ao longo da Revolução Industrial — os últimos 250 anos. 2. O papel central do Gas Natural (e agora, muito em particular do shale gas) no novo Mix (da Transição) em estreita articulação com a produção em larga escala de Renováveis — a par com, em sentido contrário, a progressiva subalternização e quebra na Procura do Petróleo (cada vez mais relegado à função nobre de matéria-prima para derivados (de petróleo) — nomeadamente para o fabrico de Compósitos e de Polímeros; o phasing out final do Nuclear (de fissão) nos países OCDE e, finalmente, a desactivação progressiva e selectiva da Grande Hídrica (já em curso há uma década nos EUA) — ambas muito em especial nos países OCDE. 3. O milagre da electrónica no sector energético: a smart produção, a smart entrega e smart transporte (as smart grids), mas também a smart storage e o smart backup e, obviamente, os smart consumos — o mérito da fiabilidade total (vital numa sociedade crescentemente digital) e o papel crescentemente valorizado da corrente contínua (dc), tanto nas smartgrids de distribuição como no transporte, terrestre e submarino, a muito longas distâncias (HVDC). 4. A articulação complementar e sinérgica entre a Macro e a Mini e Micro-geração — Sustentabilidade e Democratização Energética e emergência de um Direito da Energia, de relevância cada vez mais estruturante. A Electricidade na Transição Energética e o emergir das Estruturas Energéticas em Rede partindo do paradigma da INTERNET nos anos 80. 5. O papel da corrente contínua (DC) no transporte submarino e terrestre de electricidade a longas distâncias (HVDC vs HVAC) — um balanço histórico decisivo. O mais do que provável papel histórico da China nesta matéria. IV. A Transição em Curso para um novo Modelo ou Paragima Energético 1. A Transição e a ilusão de uma gestão inteligente e sustentável dos Recursos Naturais e Energéticos — um balanço prospectivo: recessões, desemprego, instabilidade nos mercados, escassez de recursos e custos crescentes e, finalmente, crises, disputas, conflitos e guerras. O peso do modelo das anteriores Transições (da Madeira para o Carvão no século XIX e do Carvão para o Petróleo no século XX) na interpretação da actual Transição, no século XXI). 2. Novos Modelos Económicos, Societais, Ideológicos e Democráticos em Rede — próprios da presente 4ª Revolução Industrial. A preparação conceptual, funcional e operacional da "matriz em Rede" da INTERNET e das Tecnologias (digitais) de Informação e Comunicação (TICs) — estabelecidas nas últimas décadas, à escala global e de forma massificada. O motor fulcral do novo modelo (e onde todas as Tecnologias 4:0 confluem de forma sinérgica) é a Mobilidade Elétrica e, acima de tudo, o Carro Autónomo. 3. As Cidades do futuro próprias da 3ª Revolução Industrial, bem como os novos padrões de Mobilidade individual, partilhada e colectiva— redefinição estratégica das malhas urbanas e a definição de novos modelos de mobilidade intra e inter-urbana. 4. A produção Renovável disseminada e de múltiplas fontes, se estabilizada e optimizada através de um Storage (hiper-eficiente e barato) sistemático e de um eficáz Backup dessa produção será, conjuntamente com o Gas Natural (na actual fase de Transição) e em seguida o Hidrogénio (já em plena 3ª Revolução Industrial), o pilar central do novo Mix dominante. 5. A nova era do transporte de electricidade a longas (HVDC) e muito longas (UHVDC) distâncias, em corrente contínua e em alta tensão — com os olhos postos nas futuras mega-linhas terrestres transcontinentais e bem assim submarinas trans-oceânicas. O futuro está já, decididamente, a bater à porta — muito em particular no Mar do Norte. 6. Geo-estratégia da Transição - da proliferação generalizada de crises e conflitos à procura cada vez mais difícil de novos modelos de cooperação internacional e de um novo Regime Internacional da Energia — como caso paradigmático: as Bacias Oceânicas como novos pólos agregadores da produção Renovável à escala Global e, em simultâneo, plataformas de distribuição regional — através das novas "Redes Oceânicas" de Linhas Submarinas HVDC, amanhã umas poucas dezenas, depois de amanhã umas largas dezenas e, muito em breve, centenas de Linhas Submarinas com milhares de kilometros de extensão, atravessando os mares e os Oceanos do Mundo. As Cidades e as Smart Grids e as Cidades e a Mobilidade eléctrica partilhada. A Geo-estratégia Global das Cidades.

Métodos de ensino e avaliação

A Avaliação da Cadeira será realizada através de: (a) Um Trabalho Individual (com cerca de 15 páginas, podendo-se, se tal o justificar, juntar ainda algum doc. anexo, como quadros, gráficos ou mapas) centrado numa Temática coerente com o conteúdo da Cadeira — centrada, portanto, num tema simultâneamente ambiental e energético, com uma envolvência claramente internacional e um posicionamento directa ou indirectamente relacionado com o Direito, com um Regime Internacional, com a definição e/ou aplicação de uma Policy ou focado num Estudo de Caso específico — contudo, sempre numa lógica comparativa (com outros casos) ou exemplificativa (de uma problemática mais ampla ou mesmo global) — particularmente marcante. Depois da escolha pela aluna ou aluno de 2 ou 3 temas, será discutido em aula com cada um dos alunos as vantagens e inconvenientes de cada um dos temas por si apresentados e, quanto ao tema que vier a ser definitivamente escolhido, serão dadas pistas de abordagem ao mesmo e quanto à estruturação do trabalho a realizar. Os alunos terão cerca de 1 mês (a contar da aula final de selecção definitiva dos temas) para entregar os trabalhos impressos na Secretaria do DEGGE. Os trabalhos serão posteriormente (cerca de 3 ou 4 dias depois) apresentados e defendidos em aula (tendo para o efeito 15 m) pelo respectivo autor, sem recurso a qualquer suporte de papel ou electrónico — sem recurso a apontamentos ou a power point, e muito menos ao próprio trabalho. Correspondem 50% ao trabalho escrito e 20% à apresentação oral do mesmo. (b) Um Teste com 2 ou 3 perguntas específicas centradas em temas detalhadamente focados nas aulas. Correspondem 20% ao Teste. (c) À presença e participação activa nas aulas será premiada, e corresponderá até um máximo de 10% da classificação final.

Disciplinas Execução

2019/2020 - 2 Semestre

2018/2019 - 2 Semestre

2017/2018 - 2 Semestre

2016/2017 - 2 Semestre