Demonstração da coerência das metodologias com os objectivos
A disciplina está pensada para, tanto quanto possível, levar os alunos a abandonar uma lógica de trabalho de tipo académico escolar em favor de uma lógica profissional prática em contexto industrial. Em vez de exercícios para resolver nas aulas práticas ou teórico-práticas, são propostos enunciados problematizantes, formulados de tal modo que o estudante se veja na necessidade de conceber por si o procedimento que o levará à resposta da questão posta, deixando-o na “incerteza” típica da profissão de geólogo em vez de o “embalar” na certeza escolar de “ter chegado à resposta certa” que, na prática, não tem qualquer existência real. A diferença entre aulas práticas e teórico-práticas está em que as segundas propõem questões resolúveis com pesquisa e processamento de informação, enquanto que as primeiras implicam o uso de instalações laboratoriais para criar a informação necessária à resposta procurada. A opção por aulas expositivas para a componente teórica é deliberada. No estado atual da interação entre tecnologia e sociedade, é perfeitamente concebível que os alunos possam por si procurar a informação de que necessitam e construir o conhecimento que os habilita ao cabal exercício futuro da profissão. Mas a experiência tem demonstrado que este processo é geralmente caótico, conduzindo de facto à aquisição de informação, mas impedindo a formação de conhecimento. Primeiro, porque procurar informação sobre matérias que não se dominam ou para as quais não há uma motivação muito forte, é um processo altamente ineficiente, sobretudo quando há quantidades descomunais de informação de qualidade muito variável. Para se fazer esta procura com eficiência e segurança é necessário, por um lado muito tempo, e por outro um guia que acompanhe de muito perto a pesquisa. As aulas expositivas constituem esse guia, a necessária prática de pesquisa autónoma é adquirida nas restantes componentes da disciplina. Em segundo lugar, porque disciplinas simultâneas entram em competição mútua pelo relativamente escasso tempo disponível e força o processo a tornar-se superficial. Acresce que a técnica de aquisição de informação usada pelos jovens parece conduzir a uma espécie de pensamento visual, no qual a palavra escrita, oral ou simplesmente pensada, não desempenha qualquer papel, impedindo de modo que se tem revelado drástico, o desenvolvimento da competência mínima para discutir e transmitir ideias e pensamentos. Quanto à componente de campo, privilegiar-se-ão visitas a instalações industriais, de extração e de processamento de matérias primas, ou, havendo indisponibilidade por parte das empresas, optar-se-á por visitas a afloramentos para determinação pelos estudantes, na medida do possível, dos prós e dos contras no uso industrial das rochas visitadas.