Sumários
Poder, Controlo e Justiça Organizacional
10 Março 2026, 16:00 • Carlos Duarte
A aula iniciou com o primeiro questionário do semestre, cobrindo o Tema 1 (aulas 1–4), e marcou a transição para o Tema 2 — A Organização e as Relações de Poder. Introduziu-se o enquadramento teórico da vigilância no trabalho, partindo da constatação de que a monitorização é tão antiga quanto o trabalho assalariado (Ball, 2010), mas que a tecnologia a tornou invisível, contínua e automatizada. Explorou-se o conceito de panóptico de Foucault (1975) — onde basta acreditar que se pode estar a ser observado para o comportamento mudar — e a distinção de Zuboff (1988) entre informar e automatizar, sublinhando que a mesma tecnologia pode dar poder ao trabalhador ou retirar-lho. A segunda parte da aula reposicionou a vigilância como problema de justiça distributiva (Introna, 2000), propondo que a questão não é se o trabalhador tem direito à privacidade, mas como se distribuem transparência e privacidade de forma justa, aplicando o véu de ignorância de Rawls (1971). A aula concluiu com três perguntas-guia para profissionais de SI: o poder é proporcional, recíproco e justo?
Cambridge Analytica: Três Perspetivas
4 Março 2026, 13:00 • Carlos Duarte
Esta aula serviu de modelo para os estudos de caso que os alunos irão apresentar, analisando o caso Cambridge Analytica sob três ângulos complementares. A primeira perspetiva — A Violação — descreveu a mecânica da recolha e enquadrou-a como tripla falha de consentimento, aplicando o conceito de integridade contextual de Nissenbaum. A segunda perspetiva — A Responsabilidade — mapeou os atores envolvidos e distribuiu a culpa de forma desigual, destacando que o Facebook não permitiu apenas a falha, mas construiu o ecossistema que a tornou inevitável. A terceira perspetiva — O Legado — avaliou o que mudou (RGPD, restrições de API) e o que persiste (capitalismo de vigilância, consentimento por dark patterns, microtargeting político), traçando paralelos com a recolha de dados para treino de modelos de IA e propondo quatro perguntas-guia para profissionais de informática.
O Utilizador Vulnerável
3 Março 2026, 16:00 • Carlos Duarte
Iniciou-se a aula completando dois tópicos da aula anterior — integridade contextual (Nissenbaum) e design como resposta — antes de avançar para o tema central: o utilizador vulnerável. Definiu-se vulnerabilidade como condição contextual e situacional (não fixa), abrangendo crianças, idosos, pessoas em crise, populações economicamente precárias e, em momentos de fadiga, qualquer pessoa. Analisou-se criticamente a ficção do "utilizador-padrão" no design e demonstrou-se, com dados de Mathur et al. (2019) sobre ~11.000 sites de comércio eletrónico, como dark patterns exploram vieses cognitivos de forma desproporcional em grupos vulneráveis. A parte final abordou a relação entre redes sociais e adolescentes, contrastando a posição de preocupação com a posição cética, e identificando funcionalidades como scroll infinito, likes públicos e notificações variáveis como escolhas deliberadas de design com consequências éticas.
Autonomia, Consentimento e Dignidade Digital
25 Fevereiro 2026, 13:00 • Carlos Duarte
A aula introduziu três ferramentas conceptuais para analisar problemas éticos no digital: autonomia, consentimento e dignidade digital. Discutiu-se a autonomia como autogoverno através de deliberação informada (na tradição kantiana) e as condições que a tecnologia frequentemente compromete — termos de serviço densos, escolhas falsas e dark patterns. Para o consentimento, identificaram-se os cinco requisitos de validade (informação, compreensão, voluntariedade, competência e ato positivo) e demonstrou-se, com o caso Cambridge Analytica, como o consentimento formal pode não corresponder a consentimento genuíno. Apresentou-se a taxonomia de dark patterns (confirmshaming, roach motel, misdirection, custos ocultos, trick questions) e concluiu-se com duas abordagens de resposta pelo design: Privacy by Design e Value Sensitive Design.
Introdução + Ética Académica
24 Fevereiro 2026, 16:00 • Carlos Duarte
Nesta aula apresentou-se a unidade curricular, o seu enquadramento e o modelo de avaliação (exame 40%, estudos de caso 40%, questionários 20%). Introduziu-se o conceito de agente moral — alguém cujas decisões têm consequências reais sobre outros — e discutiu-se a distinção entre ética, lei e conformidade, sublinhando que a ética começa onde a lei termina. Foram referidos códigos de conduta profissional (ACM, IEEE, Ordem dos Engenheiros) como enquadramento para a responsabilidade do profissional de informática. A segunda parte da aula foi dedicada à integridade académica: definição de plágio, práticas corretas de citação e regras para a utilização de ferramentas de IA generativa (permitida com declaração e revisão crítica), estabelecendo desde logo a coerência entre os valores que a UC ensina e os que exige.