Sumários
TP11
26 Maio 2026, 15:30 • Francisco Rodrigues Pinto
Teoria da demanda na regulação da expressão génica
Regulação Bioquímica da Proliferação e do Cancro
26 Maio 2026, 14:00 • Federico Herrera Garcia
Esta aula aborda o papel da transdução de sinal no desenvolvimento do cancro, focando-se na via de sinalização da interleucina-7 (IL-7) e do seu recetor (IL-7R) na leucemia linfoblástica aguda de células T (T-ALL). São apresentados os mecanismos moleculares envolvidos na progressão da doença e as potenciais estratégias terapêuticas dirigidas a esta via.
Transdução de sinal e cancro
A transdução de sinal permite às células responder a estímulos externos através da ativação de vias intracelulares que regulam processos como proliferação, sobrevivência e diferenciação.
No cancro, alterações nestas vias podem originar uma ativação descontrolada, favorecendo o crescimento tumoral. Entre as principais vias ativadas pela IL-7 encontram-se STAT5, PI3K-Akt-mTOR e Ras-MAPK.
Leucemia linfoblástica aguda de células T (T-ALL)
A T-ALL é um subtipo agressivo de leucemia que resulta da transformação maligna de precursores de linfócitos T. Apesar dos avanços na quimioterapia, continuam a existir elevadas taxas de recaída, justificando a procura de terapêuticas mais específicas.
Função fisiológica da IL-7
A IL-7 é produzida na medula óssea, timo e outros tecidos, sendo essencial para o desenvolvimento, sobrevivência e proliferação dos linfócitos T.
A ausência de sinalização IL-7/IL-7R conduz a imunodeficiência grave, demonstrando a importância desta via no funcionamento normal do sistema imunitário.
Papel da IL-7 na leucemia
Em muitas T-ALL, a IL-7 estimula a proliferação e a sobrevivência das células leucémicas.
Estudos em modelos animais demonstraram que a presença de IL-7 acelera significativamente a progressão da doença, confirmando que esta via contribui para o crescimento tumoral.
Mutações no IL7R
Foram identificadas mutações ativadoras no gene IL7R em doentes com T-ALL.
Estas mutações provocam ativação constitutiva do recetor, permitindo que a sinalização permaneça ativa mesmo na ausência de IL-7, promovendo a proliferação e sobrevivência das células leucémicas.
Além das mutações, níveis elevados de expressão do IL7R também podem potenciar a progressão da doença.
Estratégias terapêuticas
A via IL-7/IL-7R constitui um alvo terapêutico promissor.
Entre as abordagens estudadas incluem-se:
- Inibição de moléculas da via de sinalização, como JAK, PI3K/mTOR e Bcl-2.
- Utilização de anticorpos monoclonais dirigidos contra o IL-7Rα.
- Desenvolvimento de terapias personalizadas de acordo com o perfil molecular de cada doente.
Estas estratégias poderão beneficiar uma elevada proporção de doentes com T-ALL.
Conclusão
A sinalização mediada pela IL-7 e pelo IL-7R desempenha um papel central no desenvolvimento e progressão da T-ALL. A identificação de mutações e da sobreexpressão do IL7R permitiu compreender melhor os mecanismos da doença e abriu caminho ao desenvolvimento de terapêuticas dirigidas, com potencial para melhorar o prognóstico dos doentes.
Regulação Bioquímica da Infecção Viral
25 Maio 2026, 12:00 • Federico Herrera Garcia
Esta aula apresenta uma linha de investigação dedicada ao desenvolvimento de um péptido capaz de inibir a replicação de vários flavivírus, nomeadamente o vírus da dengue (DENV), o vírus Zika (ZIKV) e o vírus do Nilo Ocidental (WNV). O objetivo é identificar mecanismos comuns a estes vírus que possam ser explorados para desenvolver terapêuticas antivirais de largo espectro.
Flavivírus e importância clínica
Os flavivírus são vírus de RNA de cadeia simples transmitidos principalmente por mosquitos e responsáveis por doenças de grande impacto na saúde pública. Atualmente, não existem tratamentos antivirais específicos para a maioria destas infeções, tornando necessária a identificação de novos alvos terapêuticos.
Proteína da cápside e gotículas lipídicas
A proteína da cápside (proteína C) desempenha um papel essencial na montagem de novas partículas virais.
Durante a infeção, esta proteína liga-se às gotículas lipídicas presentes no citoplasma das células hospedeiras, estruturas responsáveis pelo armazenamento de lípidos. Esta interação é fundamental para a montagem eficiente do vírus.
Papel do potássio
Os estudos demonstraram que a ligação entre a proteína C e as gotículas lipídicas depende da presença de iões potássio (K⁺).
A diminuição da concentração intracelular de potássio reduz significativamente a produção de partículas virais infeciosas, sem afetar a replicação do RNA viral, indicando que o potássio é importante sobretudo na fase de montagem do vírus.
Desenvolvimento de um péptido inibidor
Através de estudos estruturais foi identificada uma pequena sequência conservada da proteína C, originando o péptido pep14-23.
Este péptido interfere com a ligação da proteína C às gotículas lipídicas e às lipoproteínas, bloqueando uma etapa essencial da replicação viral.
Os resultados sugerem que este mecanismo poderá ser explorado como estratégia terapêutica contra diferentes flavivírus.
Lipoproteínas e disseminação viral
Foi também demonstrado que a proteína C do vírus da dengue interage com lipoproteínas plasmáticas, especialmente VLDL, podendo utilizar estas partículas para facilitar a disseminação do vírus no organismo.
Esta interação também depende da presença de potássio e pode ser inibida pelo péptido desenvolvido.
Comparação entre flavivírus
Apesar das proteínas da cápside apresentarem regiões conservadas, verificaram-se diferenças entre vírus:
- O vírus da dengue apresenta forte interação com gotículas lipídicas e VLDL.
- O vírus do Nilo Ocidental apresenta um comportamento semelhante ao da dengue.
- O vírus Zika estabelece interações muito mais fracas com estes sistemas lipídicos, sugerindo mecanismos distintos de replicação.
Conclusão
A proteína da cápside constitui um alvo promissor para o desenvolvimento de antivirais de largo espectro.
A inibição da interação entre esta proteína e estruturas lipídicas da célula hospedeira poderá impedir a montagem de novas partículas virais, representando uma estratégia terapêutica inovadora contra vários flavivírus.
TP10
20 Maio 2026, 12:30 • Francisco Rodrigues Pinto
Ultrasensibilidade em ciclos de fosforilação e desfosforilação de proteínas
TP10
19 Maio 2026, 15:30 • Francisco Rodrigues Pinto
Ultrasensibilidade em ciclos de fosforilação e desfosforilação de proteínas